São José registra alta de 16,5% no saldo de empresas e mantém atividade econômica em expansão
8ª edição do Boletim Econômico da AEMFLO e CDL São José, lançada nesta terça-feira (1/9) durante reunião de Diretoria da entidade, aponta crescimento da frota, do comércio exterior e do IPVA, mas identifica desaceleração na geração de empregos e estabilidade real do ICMS.
Publicação da AEMFLO e CDL São José reúne indicadores econômicos do município e transforma dados em informação estratégica para empresários, gestores e lideranças da região.
A economia de São José mantém sinais de dinamismo em 2026, com crescimento da base empresarial, expansão da frota de veículos e avanço do comércio exterior. Ao mesmo tempo, a desaceleração da geração de empregos formais e a estabilidade da arrecadação real de ICMS indicam que o desempenho econômico ocorre em velocidades diferentes entre os indicadores. O retrato integra a 8ª edição do Boletim Econômico de São José, apresentada nesta terça-feira (1/9) durante reunião de Diretoria da AEMFLO e CDL São José.
O levantamento, elaborado pelas entidades a partir de bases oficiais, compara indicadores do município com os da Grande Florianópolis e de Santa Catarina e busca transformar dados oficiais em informação de apoio à tomada de decisão empresarial e ao debate sobre desenvolvimento econômico regional. Entre janeiro e junho, São José registrou saldo líquido de 3.548 CNPJs, alta de 16,5% sobre igual período de 2025, desempenho que supera os 5,2% da região metropolitana e os 5,7% do estado.
A composição do movimento, no entanto, merece atenção: cerca de 89% do saldo líquido vem de microempreendedores individuais. O dado demonstra força do empreendedorismo, mas reforça a importância de acompanhar a evolução das empresas não MEI e a capacidade dessa expansão de se transformar em renda e emprego formal.
“Os números mostram uma São José empreendedora e economicamente ativa. O crescimento da base empresarial é muito positivo, especialmente quando supera o desempenho regional e estadual. Ao mesmo tempo, nosso papel como entidade empresarial é olhar além do número de CNPJs e trabalhar para que essas empresas tenham condições de crescer, gerar empregos, investir e permanecer competitivas”, afirma a presidente da AEMFLO e CDL São José, Cintia Pieri.
Emprego segue positivo, mas perde velocidade
São José acumulou 1.235 novas vagas formais entre janeiro e junho e manteve saldo líquido positivo. O resultado ficou 44,3% abaixo do registrado no mesmo período de 2025, movimento que também aparece na Grande Florianópolis (-37%) e em Santa Catarina (-21,2%). A diferença de ritmo entre o forte crescimento do saldo empresarial e a desaceleração do emprego é uma das principais questões levantadas pelo boletim.
Para o diretor de Desenvolvimento Econômico da AEMFLO e CDL São José, Robson Trupell, o boletim funciona como um mapa de prioridades.
“O boletim permite enxergar onde a economia está avançando e onde precisamos concentrar atenção. São José continua atraindo e criando negócios, mas o desafio agora é transformar esse dinamismo empresarial em crescimento sustentável, produtividade, investimento e emprego. Informação econômica qualificada é fundamental para orientar tanto as empresas quanto o debate sobre desenvolvimento do município”, diz Trupell.
Frota e comércio exterior seguem em alta
Outros indicadores reforçam a leitura de uma economia ativa, ainda que desigual. A frota de veículos do município cresceu 4,8% na comparação anual, acima da média catarinense (3,7%). No comércio exterior, as exportações avançaram 8,3% e somaram cerca de US$ 28 milhões entre janeiro e julho, enquanto as importações saltaram 22,3%, para aproximadamente US$ 677,4 milhões. O resultado deixa um déficit comercial de US$ 649,6 milhões e reforça o perfil importador da cidade.
“A leitura conjunta dos indicadores mostra uma economia local ativa, mas heterogênea. Temos crescimento de empresas, frota e fluxos comerciais, enquanto emprego e arrecadação apresentam comportamento mais moderado. O ponto central não é analisar cada indicador isoladamente, mas entender como eles se relacionam e se essa expansão começa a se traduzir em mais emprego, renda e atividade tributável”, avalia o consultor econômico da AEMFLO e CDL São José, Leonardo Alonso.
ICMS estável apesar do avanço da atividade
Enquanto empresas, frota e comércio exterior avançam, a arrecadação real de ICMS ficou praticamente parada, com variação de -0,1% até junho, um contraste com a alta de 7,5% da Grande Florianópolis e de 3,7% de Santa Catarina no mesmo indicador. O IPVA real, por sua vez, cresceu 2,9%.
Para as entidades, a distância entre o crescimento da atividade econômica e a estabilidade tributária é um dos pontos que exigem acompanhamento nos próximos meses.
O cenário nacional e internacional também pede cautela, segundo o boletim. Juros elevados encarecem crédito e capital de giro, ao passo que conflitos geopolíticos, oscilação cambial e barreiras comerciais aumentam a incerteza para economias expostas às cadeias globais, o que inclui diretamente São José, dado o alto volume de importações do município.
“São José chega ao segundo semestre com indicadores favoráveis de atividade, mas inserida em um cenário que ainda recomenda prudência. Juros, situação fiscal, câmbio e ambiente geopolítico podem afetar custos e decisões empresariais. Para um município com forte presença de importadores e integração às cadeias econômicas da Grande Florianópolis, acompanhar essas variáveis é tão importante quanto observar os indicadores locais”, pontua Leonardo Alonso.
O que observar no segundo semestre
O boletim aponta três frentes centrais para os próximos meses: se o ritmo de abertura de empresas se mantém e passa a impulsionar mais o emprego formal; se o ICMS retoma crescimento real; e como juros, câmbio e comércio internacional afetam custos e investimentos das empresas locais.
A leitura das entidades é de uma economia municipal resiliente, com expansão em várias frentes, mas sem uniformidade entre os indicadores, um desempenho que também precisa ser lido à luz da forte integração de São José com a Grande Florianópolis e as cadeias produtivas de Santa Catarina.
São José em números
- Saldo de CNPJs (jan-jun): +16,5%
- Saldo de empregos (jan-jun): -44,3%
- Frota (jul/jul): +4,8%
- Exportações (jan-jul): +8,3%
- Importações (jan-jul): +22,3%
- ICMS real (jan-jun): -0,1%
- IPVA real (jan-jun): +2,9%
Informação para apoiar decisões empresariais
Mais do que apresentar indicadores, o Boletim Econômico busca transformar dados públicos em informação qualificada para empresários, gestores e lideranças da região. A análise permite acompanhar tendências, comparar desempenhos e compreender movimentos que influenciam diretamente o ambiente de negócios local.
Produzido pela AEMFLO e CDL São José, o material reforça o compromisso da entidade em oferecer conhecimento e inteligência econômica para apoiar a tomada de decisão e contribuir para o desenvolvimento regional.
Sobre o Boletim Econômico
O Boletim Econômico de São José é uma publicação da AEMFLO e CDL São José e reúne informações de bases oficiais sobre abertura de empresas, mercado de trabalho formal, frota de veículos, comércio exterior, ICMS e IPVA, com comparações entre São José, Grande Florianópolis e Santa Catarina.
A 8ª edição conta com elaboração e análise econômica de Leonardo Alonso, consultor econômico da AEMFLO e CDL São José.
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Produzido pela AEMFLO e CDL São José, o Boletim Econômico de São José reúne indicadores oficiais e análises sobre o ambiente econômico do município, contribuindo para uma leitura mais ampla do cenário empresarial local.
O material apresenta informações sobre abertura de empresas, mercado de trabalho, comércio exterior, arrecadação e outros indicadores relevantes para quem acompanha o desenvolvimento econômico da região.
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