AEMFLO/CDL São José avalia redução da Selic como importante sinal para retomada da economia e do emprego
Entidade destaca que ciclo de juros elevados desacelerou a geração de empregos em São José, na Grande Florianópolis e em Santa Catarina e defende ambiente favorável ao investimento produtivo
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de redução da Selic representa um importante sinal para a retomada gradual da atividade econômica brasileira. Após um longo período de política monetária restritiva, o Banco Central iniciou um novo movimento de flexibilização, indicando maior confiança na convergência da inflação, mas mantendo cautela diante das incertezas do cenário econômico.
Para a AEMFLO/CDL São José, a redução da Selic contribui para melhorar as expectativas de empresários e consumidores, criando condições para um ambiente de negócios mais favorável ao investimento, ao consumo e à geração de empregos, especialmente em economias fortemente sustentadas pelos setores de comércio, serviços e construção civil, como ocorre em São José e na Grande Florianópolis.
A presidente da AEMFLO/CDL São José, Cintia Pieri, avalia que a decisão do Copom vai ao encontro da necessidade de fortalecer o ambiente econômico e ampliar a confiança dos agentes produtivos.
“A redução da taxa Selic é uma notícia positiva para o setor produtivo porque representa um primeiro passo para tornar o crédito mais acessível e estimular novos investimentos. Nosso comércio, nossas empresas de serviços e a construção civil dependem de um ambiente de confiança para crescer, contratar e continuar gerando oportunidades para a população. Quanto melhores forem as condições para empreender, maiores serão os reflexos sobre toda a economia regional.”
Os números do mercado de trabalho reforçam os impactos que um ambiente prolongado de juros elevados pode produzir sobre a atividade econômica. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que, embora a geração de empregos permaneça positiva, houve desaceleração significativa no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Em São José, o saldo de empregos formais passou de 2.217 vagas no primeiro semestre de 2025 para 1.235 em 2026, representando redução de aproximadamente 44%. Na Grande Florianópolis, o saldo caiu de 14.056 para 8.850 empregos, retração próxima de 37%. Em Santa Catarina, a geração líquida de vagas recuou de 80.212 para 63.169 postos de trabalho, redução de cerca de 21%.
Embora diversos fatores influenciem o desempenho do mercado de trabalho, a AEMFLO/CDL São José destaca que o elevado custo do crédito foi um dos elementos que contribuíram para esse cenário, reduzindo investimentos empresariais, dificultando o acesso ao financiamento e limitando o consumo das famílias.
Segundo o diretor de Desenvolvimento Econômico da entidade, Robson Trupell, os efeitos da política monetária são percebidos diretamente na economia real.
“Juros elevados são necessários em determinados momentos para controlar a inflação, mas também reduzem o ritmo da economia. Quando o crédito fica caro, empresas adiam investimentos, consumidores postergam compras e isso acaba refletindo na atividade econômica e na geração de empregos. Os dados do primeiro semestre mostram justamente uma desaceleração importante, especialmente em uma economia baseada no comércio e nos serviços como a nossa.”
O consultor econômico da AEMFLO/CDL São José, Alison Fiuza, explica que o início do ciclo de redução da Selic tende a produzir resultados de forma gradual, uma vez que a política monetária atua com defasagem sobre a economia.
“A redução dos juros não gera impactos imediatos, mas melhora as expectativas dos agentes econômicos. À medida que o custo do crédito diminui, aumenta a disposição das empresas para investir, renovar equipamentos, ampliar operações e contratar trabalhadores. Da mesma forma, as famílias voltam a ter maior capacidade de consumir bens e serviços, criando um ciclo positivo para a economia.”
Na avaliação da entidade, esse movimento tende a beneficiar especialmente regiões como a Grande Florianópolis, cuja matriz econômica possui forte participação do comércio, da prestação de serviços, da tecnologia e da construção civil — segmentos tradicionalmente mais sensíveis às condições de financiamento.
O consultor econômico Leonardo Alonso ressalta que a redução da Selic também melhora o ambiente para pequenos e médios empreendedores, responsáveis por parcela significativa da geração de empregos formais.
“Grande parte das empresas da nossa região depende de capital de giro, linhas de crédito e financiamento para investir e expandir suas atividades. Quando o custo desses recursos diminui, aumenta a competitividade das empresas e surgem melhores condições para ampliar investimentos e gerar novas vagas. Isso fortalece não apenas os negócios, mas toda a economia regional.”
A entidade observa ainda que o desempenho recente do mercado de trabalho demonstra a resiliência da economia catarinense, que continua apresentando saldo positivo de empregos mesmo em um ambiente macroeconômico desafiador. Entretanto, a desaceleração registrada em São José, na Grande Florianópolis e no Estado evidencia que políticas monetárias restritivas possuem efeitos concretos sobre a atividade econômica.
Para a AEMFLO/CDL São José, a continuidade do ciclo de redução dos juros poderá contribuir para acelerar a recuperação da economia nos próximos meses, desde que acompanhada da manutenção da estabilidade macroeconômica, do controle da inflação e do compromisso com o equilíbrio das contas públicas.
A entidade reafirma que um ambiente econômico previsível, com crédito mais acessível e segurança para investir, constitui um dos principais fatores para ampliar a competitividade das empresas, estimular o empreendedorismo e fortalecer a geração de emprego e renda em São José, na Grande Florianópolis e em Santa Catarina.