Os números do FMI, porém, são mais otimistas do que os que aparecem no Boletim Focus. Os analistas ouvidos pelo Banco Central estimam avanço da economia brasileira de apenas 0,97% em 2014 e de 1,5% em 2015.
Diante dos dados e da realidade econômica, o economista Álvaro Dezidério da Luz contextualiza como o momento vivido pelo Brasil afeta a economia catarinense, maneias que as empresas podem reagir para contornar a situação e responde sobre a influência das eleições na economia.
AEMFLO – Qual o panorama atual da economia catarinense?
Álvaro Luz – A economia catarinense, por sua base diversificada em indústria, tecnologia e agropecuária, é mais resiliente ao cenário econômico atual, que é de oscilação entre queda no PIB e crescimento baixo. Todavia, se o panorama persistir ao longo de 2015 teremos efeitos sobre o emprego no Estado e na arrecadação de impostos. É importante termos atenção com a evolução da economia argentina, que caminha para um colapso ou, na melhor das hipóteses, para um ciclo longo de crescimento muito baixo. Como cerca de 30% das exportações do país, de bens manufaturados, são para a Argentina, e Santa Catarina possui uma parte relevante nesta pauta, incluindo a agropecuária, os efeitos no Estado devem aparecer, especialmente no primeiro trimestre de 2015.
AEMFLO – Como as empresas devem reagir na atual situação econômica?
AL – Não há outro caminho se não reduzir os planos de investimento, reforçando o caixa, tanto para poderem suportar o período de crescimento baixo, quanto para aproveitarem oportunidades de bons negócios, dado a queda nos preços dos ativos reais. Em períodos de recessão de demanda, as famílias reduzem seu consumo de forma acentuada e as empresas precisam se ajustar a esse novo padrão de consumo na economia. É importante lembrar que, para as empresas que se prepararam para esse momento, em geral surgem grandes oportunidades de negociação com fornecedores ou até de aquisição de concorrentes.
AEMFLO – Como esse momento político que estamos vivendo influencia na economia?
AL – A eleição insere incerteza quanto à condução da economia em 2015. Os dois candidatos de oposição representam a volta da condução de uma política econômica responsável. Já a manutenção do atual governo sugere a continuação da chamada “nova matriz econômica”, a qual, em grande medida, é responsável pela parada na economia brasileira. Não estamos em recessão por causa da crise internacional. Ela colaborou um pouco, mas a principal razão foram os seguidos experimentos de política econômica feitos nos últimos anos.
AEMFLO – Como o presidente eleito deveria conduzir a economia do Brasil?
AL – O que gostaríamos é o que o novo governo, ou até no caso de uma recondução da equipe atual, enfrentasse os problemas econômicos sem ideologia e com ações no sentido de devolver a credibilidade à política econômica do país. O tripé macroeconômico composto por câmbio flutuante, responsabilidade fiscal e metas de inflação funcionou bem, no sentido de dar previsibilidade ao ambiente de negócios, que é o que as empresas precisam. A “nova matriz econômica” fez o caminho exatamente inverso, gerando incerteza. Não há como fugir de um ajuste relevante em 2015. Mas a condução da economia precisa mudar.