Busca por crédito cresce 57,17% no Brasil, aponta CNDL e SPC Brasil
Levantamento mostra que empréstimos concentraram 79,26% das contratações de crédito entre os consumidores consultados que contrataram algum serviço no período.
A busca por crédito no Brasil registrou crescimento de 57,17% em agosto de 2026 na comparação com o mesmo mês de 2025. Os dados são de levantamento realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).
Apesar do forte crescimento na comparação anual, o volume de consultas realizadas pelo setor financeiro apresentou queda de 8,55% na passagem de julho para agosto.
Os dados ajudam a compreender o comportamento recente do consumidor brasileiro e trazem sinais importantes para empresas que acompanham crédito, consumo e capacidade financeira das famílias.
Empréstimos concentram contratações de crédito
Do público consultado em agosto, 1,75% contratou algum serviço de crédito.
Entre esses consumidores, 79,26% contrataram empréstimos e 15,62% recorreram a financiamentos. Juntas, as duas modalidades representaram 94,87% das contratações identificadas no levantamento.
Para o presidente da CNDL, José César da Costa, o crescimento da procura por empréstimos de consumo imediato em relação aos financiamentos de longo prazo merece atenção.
“O avanço da busca por crédito no Brasil tem revelado um cenário de extrema vulnerabilidade financeira das famílias. O dado de que a população está recorrendo mais a empréstimos de consumo imediato do que a financiamentos de longo prazo é um termômetro claro: as pessoas não estão conseguindo manter as contas básicas do mês em dia e precisam de ‘oxigênio’ para cobrir o buraco no orçamento. No entanto, o ciclo vicioso é perigoso: o patamar elevado da inadimplência restringe o acesso e encarece ainda mais as linhas disponíveis, jogando o endividado em opções de juros altíssimos e elevando drasticamente o risco de insolvência”, destaca.
38,59% dos consumidores consultados tinham restrição ativa
No momento da consulta, 38,59% dos consumidores possuíam alguma restrição ativa.
O perfil de quem buscou crédito em agosto teve participação de 53,40% do público masculino e 46,60% do feminino. Na análise por faixa etária, a maior participação foi registrada entre consumidores de 50 a 64 anos, que representaram 24,40% do total.
Segundo o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior, o cenário reforça a necessidade de atenção ao endividamento das famílias.
“Quando observamos o brasileiro trocando o sonho do financiamento pela urgência do empréstimo pessoal, entendemos que o orçamento doméstico chegou ao limite da corda. A alta inadimplência no país funciona como uma barreira que encarece o crédito para todo mundo, transformando linhas de socorro financeiro em verdadeiras armadilhas de juros abusivos. Buscar crédito para pagar despesas corriqueiras é o sintoma clássico de um endividamento crônico, onde o cidadão se afunda cada vez mais para tentar tapar buracos que o salário já não consegue cobrir”, alerta.
Sudeste concentra maior participação nas consultas
Na análise regional, o Sudeste concentrou 45,55% das consultas realizadas em agosto. Em seguida aparecem Nordeste, com 21,70%, Sul, com 17,81%, Centro-Oeste, com 8,23%, e Norte, com 6,72%.
Entre os grupos financeiros responsáveis pelas consultas, a maior participação foi de intermediação monetária e depósitos à vista, com 33,34%. As atividades auxiliares dos serviços financeiros responderam por 23,87%. Juntos, os dois grupos concentraram 57,21% das consultas.
Indicador reforça atenção ao comportamento do consumidor
A evolução da busca por crédito é um indicador relevante para empresas que acompanham o comportamento do consumidor e os movimentos do mercado.
O crescimento das consultas, combinado à predominância dos empréstimos entre as contratações e à presença de consumidores com restrições ativas, reforça a importância de acompanhar o cenário de crédito e endividamento.
Para o setor empresarial, informações como essas contribuem para uma leitura mais ampla sobre consumo, capacidade financeira das famílias e condições que podem influenciar decisões de compra.
Sobre o levantamento
Os dados são da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, instituições que acompanham indicadores relacionados ao comportamento do consumidor, crédito e atividade empresarial no país.